Pólipos do cólon e síndromes de polipose
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 16 perguntas neste tema
Pólipo é qualquer projeção da mucosa para o lúmen, e o termo não diz nada sobre o que ela é: a decisão depende sempre da histologia. Há três famílias com valor muito diferente. Os adenomas são displásicos por definição e são o precursor da maioria dos cancros colorretais, pela sequência adenoma-carcinoma que começa na inativação do APC. As lesões serreadas incluem o pólipo hiperplásico, pequeno, distal e benigno, e a lesão serreada séssil, plana, do cólon direito e difícil de ver, que é o precursor da via serreada. Os hamartomatosos e inflamatórios valem pouco isolados e muito quando são muitos.
A maioria dos pólipos não dá sintomas e encontra-se no rastreio, que em Portugal começa no teste imunoquímico de sangue oculto nas fezes; quando sangram, dão anemia ferropénica ou hematoquézia. A colonoscopia diagnostica e trata: quase todos se removem por via endoscópica, com a técnica escolhida pelo tamanho e pela forma, e o intervalo até ao exame seguinte decide-se pela Norma 011/2025 da DGS, que devolve ao teste de rastreio quem tem até 4 adenomas pequenos de baixo grau e manda repetir a colonoscopia aos 3 anos quem tem lesões de alto risco.
Quando a histologia mostra carcinoma a invadir a submucosa, o pólipo é maligno (pT1) e a pergunta passa a ser se a polipectomia chegou ou se o risco ganglionar pede colectomia. Decidem-no o grau de diferenciação, a invasão linfovascular, o budding tumoral, a profundidade de invasão e a margem de resseção.
As síndromes de polipose explicam uma pequena parte dos cancros, mas cada uma muda a vida de uma família inteira. A polipose adenomatosa familiar (APC, dominante) atapeta o cólon de adenomas desde a adolescência e acaba em cancro quase sempre, pelo que se opera de forma profilática; a polipose associada a MUTYH é recessiva e atenuada; Peutz-Jeghers e a polipose juvenil são hamartomatosas; a polipose serreada define-se pela contagem. O número de pólipos, a idade jovem e a história familiar são as três pistas, e a confirmação de uma síndrome leva sempre aconselhamento genético e estudo dos familiares.
Referências
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 011/2025, de 20/10/2025: Programa de Rastreio de Base Populacional do Cancro do Cólon e Reto. Lisboa: DGS; 2025.
- Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, Dunn DL, Kao LS, Hunter JG, et al., editores. Schwartz's Principles of Surgery. 11.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2019. Capítulo 29, Colon, rectum, and anus.
- Wing EJ, Schiffman FJ, editores. Andreoli and Carpenter's Cecil Essentials of Medicine. 10.ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2022. Capítulo 58, Gastrointestinal cancers.
- Hassan C, Antonelli G, Dumonceau JM, Regula J, Bretthauer M, Chaussade S, et al. Post-polypectomy colonoscopy surveillance: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline - Update 2020. Endoscopy. 2020;52(8):687-700.
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- Monahan KJ, Bradshaw N, Dolwani S, Desouza B, Dunlop MG, East JE, et al. Guidelines for the management of hereditary colorectal cancer from the British Society of Gastroenterology (BSG)/Association of Coloproctology of Great Britain and Ireland (ACPGBI)/United Kingdom Cancer Genetics Group (UKCGG). Gut. 2020;69(3):411-44.
16 perguntas sobre Pólipos do cólon e síndromes de polipose múltipla do cólon
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