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Neoplasias do reto

Matriz PNA:D · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 16 perguntas neste tema

Em resumo

O cancro do reto é quase sempre um adenocarcinoma e corresponde a cerca de um terço dos cancros colorretais. Partilha com o cólon a biologia, os fatores de risco e o rastreio, mas a pelve muda o resto: o tumor está encostado ao esfíncter, à bexiga, à próstata ou à vagina e ao sacro, a margem circunferencial é difícil de conseguir, e por isso a recidiva local pesa mais do que no cólon.

Manifesta-se por retorragia, tenesmo, alteração do trânsito ou dor, e muitos doentes chegam pelo rastreio ou por uma anemia sem outra causa. O toque retal e a colonoscopia com biópsia fazem o diagnóstico. A ressonância pélvica faz o estadiamento local e decide o tratamento, porque mostra a profundidade da invasão, a distância à fáscia mesorretal, a invasão venosa extramural, os gânglios laterais e a relação com o esfíncter.

O tratamento faz-se à medida do risco e da intenção. O tumor precoce opera-se logo; o de risco intermédio leva radioterapia de curta duração ou quimiorradioterapia antes da cirurgia; o de alto risco leva terapêutica neoadjuvante total, com toda a quimioterapia e a radioterapia antes da operação. A cirurgia é a excisão total do mesorreto, e a qualidade dela é o que mais pesa no controlo local. Quando o tratamento prévio faz desaparecer o tumor, pode dispensar-se a cirurgia e vigiar de perto, preservando o reto.

O que não se pode falhar: a retorragia atribuída a hemorroidas sem ver o reto e o cólon, o toque retal esquecido, e o estado de reparação de emparelhamentos por pesquisar na biópsia, porque esses tumores respondem mal à quimioterapia e muito bem à imunoterapia.

Confirmação

  • Toque retal: tamanho, distância à margem anal, mobilidade ou fixação, relação com o esfíncter.
  • Colonoscopia até ao cego com biópsia: o diagnóstico é sempre histológico, e a colonoscopia procura lesões sincrónicas, presentes em até 5%.
  • Se o tumor não deixar passar o endoscópio, a colonografia por TC estuda o cólon a montante. Se não houver estudo completo antes da operação, a colonoscopia faz-se até 6 meses depois da cirurgia.
  • A altura do tumor mede-se hoje sobretudo por ressonância; a retoscopia rígida ainda pode usar-se.

Estadiamento local: ressonância pélvica

É obrigatória e é o exame que decide o tratamento. O relatório tem de dizer:

  • Profundidade de invasão. O T3 subdivide-se pela extensão para lá da muscular própria:
SubcategoriaExtensão para lá da muscular própria
T3amenos de 1 mm
T3b1 a 5 mm
T3cacima de 5 e até 15 mm
T3dmais de 15 mm
  • Fáscia mesorretal: diz-se envolvida ou ameaçada quando o tumor, um gânglio ou um depósito está a 1 mm ou menos dela. É o que antecipa a margem circunferencial da peça.
  • Invasão venosa extramural: tumor dentro de uma veia fora da parede, marcador de disseminação hematogénea.
  • Gânglios, incluindo os laterais. O critério do tamanho (10 mm) é impreciso; bordo irregular e sinal heterogéneo ajudam, mas o N por ressonância continua a ser a parte menos fiável.
  • Relação com o esfíncter e com o plano interesfincteriano nos tumores baixos, que decide se o esfíncter se pode preservar.

Critérios de alto risco na ressonância: cT4a ou cT4b, fáscia mesorretal envolvida ou ameaçada, cN2 (4 ou mais gânglios suspeitos), invasão venosa extramural e gânglios laterais de 7 mm ou mais.

Ecoendoscopia retal: é melhor do que a ressonância para distinguir cT1 de cT2 nos tumores precoces, mas o campo curto não deixa ver a fáscia nem o compartimento lateral, e não serve para reavaliar depois do tratamento.

Estadiamento à distância e laboratório

ExamePapel
TC do tórax e do abdómenmetástases hepáticas e pulmonares
Tomografia por emissão de positrõesnão se usa por rotina; esclarece achados duvidosos da TC
Antigénio carcinoembrionário (CEA)doseia-se antes do tratamento; prognóstico e base do seguimento. Não é teste de rastreio nem de diagnóstico, e sobe ligeiramente nos fumadores
Hemograma, função hepática e renalavaliação geral
Estado de reparação de emparelhamentosna biópsia inicial, em todos, porque o tratamento prévio pode estragar a coloração

A pesquisa de RAS, BRAF e HER2 não muda o tratamento da doença localizada e não se faz nesta fase.

Classificação

  • Classificação TNM na 8.ª edição, igual à do cólon: T4a atravessa o peritoneu visceral, T4b invade órgãos vizinhos; N1 1 a 3 gânglios, N1c depósitos tumorais sem gânglio positivo, N2 4 ou mais.
  • O prefixo c é o estadiamento clínico, pela imagem; p é o da peça; yp é o da peça depois de tratamento prévio.
  • Ao contrário do cólon, no reto o tratamento decide-se pelo estadiamento clínico, antes da peça. Tudo é discutido em reunião multidisciplinar desde o diagnóstico.

Diagnóstico diferencial

ApresentaçãoConsiderar
Retorragiahemorroidas, fissura anal, proctite (doença inflamatória, rádica, infecciosa), pólipo, angiodisplasia
Massa retaltumor do canal anal, tumor neuroendócrino, tumor do estroma gastrointestinal, invasão por tumor da próstata ou ginecológico, endometriose, úlcera solitária do reto
Tenesmo e mucorreiaproctite, prolapso retal

O reto entra no rastreio do cancro colorretal, que reduz a incidência e a mortalidade porque encontra o cancro precoce e retira os adenomas antes de invadirem.

Rastreio populacional (Norma DGS 011/2025)

  • Quem: pessoas que, no ano do convite, completam entre 50 e 74 anos.
  • Teste: pesquisa de sangue oculto nas fezes por método imunoquímico, numa amostra única, positivo a partir de 100 ng/mL.
  • Negativo: repete 2 anos depois.
  • Positivo: consulta numa unidade de rastreio até 30 dias depois do resultado e colonoscopia até 15 dias depois da consulta.
  • Excluídos em definitivo, porque têm vigilância própria: cancro colorretal prévio, doença inflamatória intestinal, síndromes hereditárias.

Risco acrescido

  • Familiar de 1.º grau diagnosticado antes dos 50 anos, ou dois familiares de 1.º grau em qualquer idade: colonoscopia desde os 40 anos, de 5 em 5 anos (Norma DGS 012/2025).
  • Síndrome de Lynch, polipose adenomatosa familiar e doença inflamatória intestinal: vigilância por colonoscopia, mais cedo e mais apertada.

Prevenção primária

Controlar o peso, fazer atividade física, deixar de fumar, limitar o álcool e a carne vermelha e processada, comer fibra.

Princípios

  • Os estádios I a III tratam-se com intenção curativa, com decisão em reunião multidisciplinar e com ressonância de qualidade.
  • Já não há uma terapêutica-padrão única para o estádio clínico II ou III. A imagem de qualidade identifica doentes com risco de recidiva local muito baixo, que dispensam radioterapia, e a intenção do tratamento (preservar o reto, reduzir a toxicidade) pesa tanto como o estádio.
  • O critério antigo para dispensar a radioterapia era o T3 com extensão até 5 mm (T3a e T3b). Alargou-se: num estudo prospetivo com algoritmo definido, só fizeram quimiorradioterapia os tumores do terço médio com fáscia a 1 mm ou menos ou T4, e os do terço inferior T3 ou T4; os operados sem tratamento prévio tiveram recidiva local de 2,9%.
  • Essa liberdade exige qualidade demonstrada: cabe ao cirurgião e ao patologista provar que a excisão do mesorreto é consistentemente boa e a resseção completa.

O que se pode dar antes da cirurgia

ModalidadeEsquemaNotas
Radioterapia de curta duração25 Gy em 5 fraçõesa cirurgia 4 a 8 semanas depois dá menos complicações do que a cirurgia imediata
Quimiorradioterapia de longa duração50 a 50,4 Gy em 25 a 28 frações, com capecitabina ou fluorouracilo em perfusãoresultados oncológicos semelhantes aos da curta em cT3, cT4 ou N positivo
Terapêutica neoadjuvante totaluma das anteriores e 3 a 4,5 meses de CAPOX (capecitabina e oxaliplatina) ou FOLFOX (fluorouracilo em perfusão, ácido folínico e oxaliplatina), tudo antes da cirurgiamelhora o controlo à distância e a sobrevivência livre de doença no alto risco; cirurgia 4 a 8 semanas depois do fim
Quimioterapia neoadjuvante isolada3 meses de CAPOX ou FOLFOXsó em cT2 N positivo ou cT3, com margem circunferencial prevista de 3 mm ou mais e cirurgia com preservação da continência possível; radioterapia de resgate se houver intolerância ou progressão
  • Na terapêutica neoadjuvante total, a resposta patológica completa ronda os 28%. Com a radioterapia curta, o controlo locorregional foi pior num dos estudos, e isso pesa na escolha. Juntar irinotecano (esquema com fluorouracilo, irinotecano e oxaliplatina) melhorou a sobrevivência global num estudo, à custa de mais toxicidade.
  • A terapêutica neoadjuvante total deixa sequelas de longo prazo (neuropatia, disfunção anorretal, sexual e urinária), e decide-se caso a caso.

Terços médio e inferior, quando se pretende operar

SituaçãoConduta
cT1 N0 favorávelexcisão local; se a peça mostrar fatores desfavoráveis, excisão total do mesorreto
cT2 N0excisão total do mesorreto direta. Radioterapia seguida de excisão local, em tumores abaixo de 4 cm, só no idoso ou frágil de alto risco cirúrgico
cT2 N positivo, cT3 N0 ou N1 (risco intermédio)radioterapia de curta duração ou quimiorradioterapia, não terapêutica neoadjuvante total, ou quimioterapia neoadjuvante isolada; depois cirurgia
Critérios de alto riscoterapêutica neoadjuvante total

Terço superior

  • A radioterapia acrescenta pouco, e a abordagem aproxima-se da do cólon.
  • Terapêutica neoadjuvante total no cT4 ou com fáscia envolvida ou ameaçada; quimiorradioterapia ou radioterapia curta se não for possível.
  • Quimioterapia neoadjuvante no cT2 N positivo, no cT3 e no cT4.
  • Nos restantes, cirurgia direta e adjuvância conforme o risco.

Excisão local

  • Reserva-se ao pT1 sem fatores desfavoráveis. Fatores de risco na peça: tamanho, profundidade de invasão, tipo e grau, budding tumoral, invasão linfática e vascular, e margens; dois ou mais indicam cirurgia radical.
  • Não dá gânglios para estadiar, e por isso qualquer excisão local é uma biópsia excisional. Isolada, em tumores uT1 N0 e uT2 N0 pequenos e favoráveis, chegou a ter recidivas locais de até 20% e 40%, respetivamente.
  • A microcirurgia endoscópica transanal alcança lesões até 15 cm.
  • É também alternativa à excisão total do mesorreto em tumores cT2 ou cT3a N0 com boa resposta à radioterapia ou quimiorradioterapia.

Preservação do órgão

  • Quem tem resposta clínica completa depois do tratamento prévio pode ficar em vigilância ativa, sem cirurgia, com melhor função anorretal, urinária e sexual e melhor qualidade de vida.
  • Para aumentar a probabilidade de resposta completa, a terapêutica neoadjuvante total faz-se de preferência com quimiorradioterapia primeiro e quimioterapia de consolidação depois; com esta sequência, cerca de metade dos doentes com tumor do terço inferior estava sem excisão do mesorreto aos 5 anos (54%, contra 39% com a quimioterapia primeiro), sem pior sobrevivência livre de doença. Indica-se no alto risco e pode considerar-se no cT2 N positivo e no cT3. No cT1 e cT2 N0 chega a radioterapia curta ou quimiorradioterapia, e no cT2 e cT3 abaixo de 5 cm um reforço de braquiterapia endorretal aumenta a preservação, em centros com experiência.
  • Resposta clínica completa avalia-se por toque retal, endoscopia e ressonância. As biópsias não servem para decidir.
  • Quando reavaliar: 12 semanas depois do início da radioterapia; se a resposta for quase completa, nova avaliação 4 a 8 semanas depois. A resposta leva tempo: a maioria não é completa às 8 a 12 semanas, e muitos só lá chegam 24 a 26 semanas depois do fim da quimiorradioterapia.
  • Sem resposta completa, cirurgia.
  • O recrescimento acontece em 25 a 35%, quase sempre (94%) nos primeiros 2 anos, e a maioria é resgatável com cirurgia radical; a excisão local não se recomenda no recrescimento.
  • Vigilância: ressonância, endoscopia e toque retal de 3 em 3 meses nos primeiros 2 anos e de 6 em 6 meses depois; TC do tórax e do abdómen de 6 em 6 meses nos primeiros 2 anos e anual depois.

Cirurgia

  • Excisão total do mesorreto: disseção cortante no plano anatómico que tira o reto com todo o mesorreto e a fáscia intacta. Reduz a recidiva local, melhora a sobrevivência e poupa os nervos autonómicos pélvicos e o plexo pré-sagrado.
  • No terço superior basta a excisão parcial do mesorreto, com 5 cm ou mais de mesorreto abaixo do tumor.
  • Margem circunferencial: tumor a mais de 1 mm da fáscia e dos outros órgãos. Com fáscia envolvida ou T4b, cirurgia para lá do plano do mesorreto, com resseção em bloco dos órgãos invadidos.
  • Margem distal na parede: 1 cm ou mais sem tratamento prévio; depois de tratamento prévio, menos de 1 cm livre pode bastar.
  • Gânglios laterais com eixo curto de 7 mm ou mais ressecam-se depois do tratamento prévio.
  • Via aberta, laparoscópica ou robótica têm resultados oncológicos semelhantes.
  • O patologista classifica a qualidade do mesorreto na peça (completo, quase completo, incompleto), que prediz a recidiva local.
SituaçãoOperação
Terço superiorresseção anterior com excisão parcial do mesorreto
Terços médio e inferior, esfíncter não invadidoresseção anterior baixa com excisão total do mesorreto e anastomose colorretal ou coloanal (uma bolsa em J do cólon pode melhorar a função)
Invasão do plano interesfincteriano, do esfíncter ou dos elevadoresamputação abdominoperineal, com colostomia terminal definitiva
Incontinência ou lesão esfincteriana préviacolostomia terminal pode ser melhor do que uma anastomose muito baixa
  • Depois do tratamento prévio, 50 a 80% dos doentes inicialmente propostos para amputação conseguem uma operação com preservação do esfíncter.
  • A anastomose baixa, sobretudo depois de radioterapia, protege-se com ileostomia temporária.

Tratamento adjuvante

  • Depois de cirurgia sem tratamento prévio: fluoropirimidina, possivelmente com oxaliplatina, conforme o risco; o benefício é menor do que no cólon.
  • Depois de radioterapia ou quimiorradioterapia: pode considerar-se, sem benefício claro.
  • Depois de terapêutica neoadjuvante total: não se recomenda por rotina, pela toxicidade.
  • Quimiorradioterapia pós-operatória, só em quem não fez radioterapia antes: margem circunferencial positiva, pT4b, pN2 com extensão extracapsular junto à fáscia, ou mesorreto de má qualidade.

Tumores com deficiência de reparação de emparelhamentos

  • Pesquisa-se em todos, na biópsia inicial. Identifica os tumores esporádicos com instabilidade de microssatélites e os doentes com síndrome de Lynch, que vão a aconselhamento genético.
  • Respondem mal à quimioterapia e, por isso, não fazem quimioterapia neoadjuvante isolada.
  • Respondem muito bem ao bloqueio de PD-1. A guideline europeia recomenda dostarlimab durante 6 meses nos tumores localmente avançados de qualquer terço. A melhor evidência é um ensaio de fase II monocêntrico: os 42 doentes que completaram os 6 meses tiveram resposta clínica completa, sem progressão numa mediana de 26 meses de seguimento.
  • Em 2026, o dostarlimab ainda não está aprovado nesta indicação, nem pela Agência Europeia de Medicamentos nem pela agência norte-americana do medicamento (FDA), onde está em apreciação.
  • Reavaliação às 12 e às 24 semanas do início. Com resposta completa, vigilância ativa como nos outros; com persistência ou recidiva, cirurgia de resgate.

Doença metastática

A sequência entre o primário e as metástases decide-se em reunião multidisciplinar. Metástases hepáticas ou pulmonares isoladas e ressecáveis podem curar-se; a terapêutica sistémica segue a do cancro colorretal metastático. Na paliação, a cirurgia radical reserva-se ao controlo da dor, da hemorragia ou do tenesmo.

Seguimento depois da cirurgia

ComponentePeriodicidade
Consultade 3 em 3 meses durante 2 anos
CEAde 3 em 3 a 4 em 4 meses nos primeiros 3 anos
TC do tórax, abdómen e pelvepelo menos anual nos primeiros 3 anos
Ressonância pélvicapara procurar recidiva local, sobretudo com margem envolvida
Colonoscopiano primeiro ano se não foi completa antes; depois de 5 em 5 anos até aos 75 anos
Cancro do reto: estadiamento local e decisão Adenocarcinoma do reto, do diagnóstico à escolha da operação 1. Diagnóstico Colonoscopia até ao cego, com biópsia Toque retal: distância, fixação, esfíncter 2. Estadiamento local e à distância RM pélvica (local) Profundidade (T3a a T3d) Fáscia mesorretal a 1 mm ou menos: ameaçada Invasão venosa extramural Gânglios, laterais incluídos Esfíncter e elevadores Ecoendoscopia retal Tumores precoces Distingue T1 de T2 (melhor do que a RM nos tumores superficiais; não vê bem a fáscia) TC e CEA (à distância) TC do tórax e abdómen procura metástases CEA antes do tratamento (prognóstico e seguimento) Reparação de emparelhamentos na biópsia 3. Decisão pelo risco na RM (terços médio e inferior) Risco baixo cT1 ou cT2, N0 fáscia livre Cirurgia sem tratamento prévio pT1 sem fatores desfavoráveis: excisão local Risco intermédio cT2 N1, cT3 N0 ou N1 fáscia livre Radioterapia curta ou quimiorradioterapia ou só quimioterapia, e depois cirurgia Risco alto cT4, fáscia ameaçada, cN2, invasão venosa extramural ou gânglio lateral de 7 mm ou mais Terapêutica neoadjuvante total 4. Reavaliação depois do tratamento prévio RM, endoscopia e toque retal Resposta clínica completa vigilância ativa, se se pretende preservar o órgão Resposta incompleta cirurgia Cirurgia: excisão total do mesorreto A operação escolhe-se pela relação do tumor com o esfíncter: Resseção anterior: preserva o esfíncter Esfíncter não invadido: anastomose colorretal ou coloanal, muitas vezes com ileostomia temporária Amputação abdominoperineal (operação de Miles) Invasão do esfíncter ou dos elevadores: colostomia terminal definitiva Terço superior Aproxima-se do cólon, porque a radioterapia pouco acrescenta; terapêutica neoadjuvante total só no cT4 ou com fáscia ameaçada. Deficiência de reparação de emparelhamentos Imunoterapia com dostarlimab durante 6 meses em vez de quimioterapia e radioterapia, ainda sem aprovação nesta indicação; com resposta completa, vigilância ativa.
Esquema original InovaQB, baseado na guideline da ESMO (sociedade europeia de oncologia médica) de 2025 para o cancro do reto localizado.

Referências

  1. Hofheinz RD, Fokas E, Benhaim L, Price TJ, Arnold D, Beets-Tan R, et al. Localised rectal cancer: ESMO Clinical Practice Guideline for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol. 2025;36(9):1007-24.
  2. Glynne-Jones R, Wyrwicz L, Tiret E, Brown G, Rödel C, Cervantes A, et al. Rectal cancer: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol. 2017;28(Suppl 4):iv22-iv40.
  3. D'Souza N, de Neree tot Babberich MPM, d'Hoore A, Tiret E, Xynos E, Beets-Tan RGH, et al. Definition of the rectum: an international, expert-based Delphi consensus. Ann Surg. 2019;270(6):955-9.
  4. Cercek A, Lumish M, Sinopoli J, Weiss J, Shia J, Lamendola-Essel M, et al. PD-1 blockade in mismatch repair-deficient, locally advanced rectal cancer. N Engl J Med. 2022;386(25):2363-76.
  5. Emmertsen KJ, Laurberg S. Low anterior resection syndrome score: development and validation of a symptom-based scoring system for bowel dysfunction after low anterior resection for rectal cancer. Ann Surg. 2012;255(5):922-8.
  6. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 011/2025, de 20/10/2025: Programa de Rastreio de Base Populacional do Cancro do Cólon e Reto. Lisboa: DGS; 2025.
  7. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 012/2025, de 20/10/2025: Programa de Rastreio do Cancro do Cólon e Reto para Pessoas com Condição de Risco Acrescido. Lisboa: DGS; 2025.
  8. Brierley JD, Gospodarowicz MK, Wittekind C, editores. TNM Classification of Malignant Tumours. 8.ª ed. Oxford: Wiley-Blackwell; 2017.
  9. Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, Dunn DL, Kao LS, Hunter JG, et al., editores. Schwartz's Principles of Surgery. 11.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2019. Capítulo 29, Colon, rectum, and anus.
  10. GSK. Jemperli (dostarlimab) accepted for priority review by the US FDA for dMMR/MSI-H locally advanced rectal cancer [comunicado de imprensa]. Londres: GSK; 24 de agosto de 2026.

16 perguntas sobre Neoplasias do reto

Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.

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