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Neoplasias do esófago

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema

Em resumo

O cancro do esófago são duas doenças que partilham o órgão e o sintoma. O carcinoma epidermoide, também chamado espinocelular, nasce do epitélio pavimentoso, prefere os terços superior e médio e é sobretudo uma doença do tabaco e do álcool; continua a ser cerca de 85% dos casos no mundo. O adenocarcinoma nasce no epitélio colunar metaplásico do esófago de Barrett, ocupa o terço inferior e a junção esofagogástrica e cresce com o refluxo e a obesidade; nos países de rendimento elevado já representa cerca de dois terços dos casos.

Apresenta-se tarde. Como o esófago não tem serosa e se distende com facilidade, a disfagia progressiva, de sólidos para líquidos, com emagrecimento, só aparece quando o tumor já ocupa a maior parte da circunferência, e muitos doentes chegam com doença localmente avançada ou metastizada. O diagnóstico faz-se por endoscopia com biópsias múltiplas; o estadiamento junta TC, PET-TC e ecoendoscopia, com broncoscopia nos tumores ao nível da carina ou acima dela.

O tratamento depende do estádio e da histologia. A displasia de alto grau visível e o carcinoma limitado à mucosa tratam-se por resseção endoscópica; a invasão profunda da submucosa leva a esofagectomia. Na doença localmente avançada, o epidermoide faz quimiorradioterapia seguida de cirurgia, ou quimiorradioterapia definitiva, que é a regra no esófago cervical e no doente inoperável; o adenocarcinoma faz hoje, de preferência, quimioterapia perioperatória com FLOT. Quem fez quimiorradioterapia neoadjuvante e fica com tumor na peça operatória recebe um ano de nivolumab. Na doença metastizada juntam-se quimioterapia e imunoterapia, e a disfagia palia-se com prótese.

O esófago de Barrett é o precursor do adenocarcinoma e é o sítio onde se pode chegar antes do cancro: vigia-se com biópsias sistemáticas, e a displasia confirmada e o cancro precoce tratam-se por via endoscópica, com resseção das lesões visíveis e ablação do resto do epitélio, sem esofagectomia.

O que não se pode falhar: disfagia nova, hemorragia digestiva ou perda de peso num adulto pedem endoscopia; o doente desnutrido precisa de suporte nutricional antes do tratamento curativo, por jejunostomia ou sonda, e não por prótese; e a biópsia de uma displasia no Barrett só vale depois de confirmada por um segundo patologista.

Referências

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10 perguntas sobre Neoplasias do esófago

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