Neoplasias das vias biliares e do pâncreas
Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema
O adenocarcinoma ductal do pâncreas, o colangiocarcinoma e o carcinoma da vesícula biliar nascem do mesmo epitélio pancreatobiliar, apresentam-se quase sempre tarde e só se curam com uma resseção completa, que a maioria dos doentes já não pode fazer quando chega ao diagnóstico.
O adenocarcinoma do pâncreas atinge sobretudo pessoas idosas, fumadores, obesos, diabéticos e doentes com pancreatite crónica, e nasce de lesões precursoras em que a mutação de KRAS é o primeiro passo. Na cabeça dá icterícia obstrutiva, dor epigástrica que irradia para o dorso e emagrecimento, por vezes com a vesícula distendida e palpável do sinal de Courvoisier; no corpo e na cauda cresce em silêncio. Uma diabetes nova num adulto com mais de 50 anos sem excesso de peso deve fazer pensar nele.
A tomografia computorizada com protocolo pancreático diagnostica e, sobretudo, classifica o tumor pela relação com os vasos: ressecável, limítrofe, localmente avançado ou metastático. O ressecável vai à cirurgia (duodenopancreatectomia na cabeça, pancreatectomia distal no corpo e na cauda) seguida de seis meses de quimioterapia, o limítrofe começa pela quimioterapia, e o metastático recebe quimioterapia paliativa. O CA 19-9 ajuda a estadiar e a seguir, mas não diagnostica nem rastreia.
As lesões quísticas do pâncreas são achados cada vez mais frequentes: o pseudoquisto e o cistadenoma seroso não malignizam, a neoplasia mucinosa quística e a neoplasia papilar mucinosa intraductal sim, e é o calibre do canal pancreático principal, os nódulos murais e o tamanho que decidem entre vigiar e operar.
O colangiocarcinoma divide-se em intra-hepático, peri-hilar (o tumor de Klatskin) e distal. A colangite esclerosante primária é o fator de risco que mais pesa no Ocidente. O peri-hilar e o distal dão icterícia indolor, o intra-hepático uma massa hepática. Opera-se o que se pode ressecar com margens livres, com capecitabina depois; na doença avançada junta-se imunoterapia à gemcitabina com cisplatina e procuram-se alvos moleculares, sobretudo fusões de FGFR2 e mutações de IDH1.
O carcinoma da vesícula acompanha quase sempre a litíase e é muitas vezes descoberto na peça de uma colecistectomia. O que não se pode falhar é ler a histologia dessa peça: a partir de T1b o doente volta ao bloco para a resseção do leito hepático e dos gânglios.
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10 perguntas sobre Neoplasias da vias biliares e pâncreas
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