Digestiva e Hepatobiliar›Neoplasia gástricaPublicado (Premium)

Neoplasia gástrica

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 16 perguntas neste tema

Em resumo

A neoplasia gástrica é, na grande maioria dos casos, um adenocarcinoma, que responde por cerca de 90 a 95% dos tumores malignos primários do estômago. O resto é sobretudo linfoma e tumor do estroma gastrointestinal, com os tumores neuroendócrinos atrás. São doenças de origem celular diferente e com tratamentos que pouco têm em comum, pelo que nenhuma decisão se toma antes da histologia.

O adenocarcinoma é uma doença do idoso, duas vezes mais frequente no homem. O tipo intestinal de Lauren nasce ao fim de décadas de inflamação crónica pelo Helicobacter pylori, pela sequência de gastrite, atrofia, metaplasia intestinal e displasia, e é o que tem descido nos países ocidentais. O tipo difuso resulta da perda de E-caderina, atinge doentes mais novos, infiltra a parede sem formar massa e dissemina pelo peritoneu; na forma hereditária, por mutação germinativa de CDH1, justifica gastrectomia total profilática.

No início é silencioso ou dá dispepsia inespecífica, e a maioria dos doentes chega com doença avançada. Perda de peso, vómitos persistentes, disfagia, hemorragia, anemia ferropénica ou dispepsia de novo depois dos 55 anos obrigam a endoscopia com biópsias múltiplas. O estadiamento junta tomografia toracoabdominopélvica, ecoendoscopia e, do estádio IB ao III, laparoscopia com lavado peritoneal, porque a carcinomatose oculta é frequente e muda o plano.

O cancro precoce limitado à mucosa com baixo risco ganglionar trata-se por disseção endoscópica da submucosa. Do estádio IB ao III o padrão é quimioterapia perioperatória com FLOT, a que desde 2026 se pode juntar o durvalumab, com gastrectomia subtotal ou total e linfadenectomia D2. Na doença metastática o tratamento é sistémico e escolhe-se pelos biomarcadores: HER2, PD-L1, instabilidade de microssatélites e claudina 18.2.

O que não se pode falhar: toda a úlcera gástrica se biopsa até prova em contrário; o GIST não leva linfadenectomia e a sua cápsula não se rompe; o linfoma MALT localizado com Helicobacter pylori trata-se com a erradicação, não com cirurgia; o tumor com instabilidade de microssatélites operado não leva quimioterapia adjuvante; e quem fica sem estômago precisa de vitamina B12 por via parentérica para toda a vida.

Referências

  1. Lordick F, Carneiro F, Cascinu S, Fleitas T, Haustermans K, Piessen G, et al. Gastric cancer: ESMO Clinical Practice Guideline for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol. 2022;33(10):1005-20.
  2. European Society for Medical Oncology. ESMO Gastric Cancer Living Guideline, v1.4. Metastatic disease: first-line for HER2-negative and for HER2-positive. Lugano: ESMO; 2024.
  3. Shitara K, Fleitas T, Kawakami H, Curigliano G, Narita Y, Wang F, et al. Pan-Asian adapted ESMO Clinical Practice Guidelines for the diagnosis, treatment and follow-up of patients with gastric cancer. ESMO Open. 2024;9(2):102226.
  4. European Medicines Agency. Imfinzi (durvalumab): CHMP summary of positive opinion on a change to the terms of the marketing authorisation (gastric or gastro-oesophageal junction adenocarcinoma). Amsterdam: EMA; 2026.
  5. Dinis-Ribeiro M, Libânio D, Uchima H, Spaander MCW, Bornschein J, Matysiak-Budnik T, et al. Management of epithelial precancerous conditions and early neoplasia of the stomach (MAPS III): European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE), European Helicobacter and Microbiota Study Group (EHMSG) and European Society of Pathology (ESP) Guideline update 2025. Endoscopy. 2025;57(5):504-54.
  6. Pimentel-Nunes P, Libânio D, Marcos-Pinto R, Areia M, Leja M, Esposito G, et al. Management of epithelial precancerous conditions and lesions in the stomach (MAPS II). Endoscopy. 2019;51(4):365-88.
  7. Blair VR, McLeod M, Carneiro F, Coit DG, D'Addario JL, van Dieren JM, et al. Hereditary diffuse gastric cancer: updated clinical practice guidelines. Lancet Oncol. 2020;21(8):e386-97.
  8. Casali PG, Blay JY, Abecassis N, Bajpai J, Bauer S, Biagini R, et al. Gastrointestinal stromal tumours: ESMO-EURACAN-GENTURIS Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol. 2022;33(1):20-33.
  9. Amin MB, Edge SB, Greene FL, Byrd DR, Brookland RK, Washington MK, et al., editors. AJCC cancer staging manual. 8th ed. New York: Springer; 2017.
  10. Stomach. In: Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, Dunn DL, Kao LS, Hunter JG, et al., editors. Schwartz's principles of surgery. 11th ed. New York: McGraw-Hill; 2019. p. 1109-65.
  11. Mayer RJ. Upper gastrointestinal tract cancers. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018.
  12. Gastrointestinal cancers. In: Wing EJ, Schiffman FJ, editors. Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. p. 589-91.

16 perguntas sobre Neoplasia gástrica

Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.

Criar conta e treinar