Abordagem cirúrgica ao doente com disfagia
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema
Disfagia é a sensação de que o alimento, o líquido ou a saliva não progridem da boca ao estômago, e trata-se como sinal de doença orgânica até prova em contrário. Duas perguntas classificam quase todos os casos. Onde para: a disfagia orofaríngea é a dificuldade em iniciar a deglutição, com tosse, engasgo e regurgitação nasal; a esofágica é o bloqueio retroesternal segundos depois de uma deglutição bem iniciada. A quê: só sólidos, e cada vez pior, é estreitamento mecânico; sólidos e líquidos desde o início é perturbação motora.
Do lado cirúrgico, quatro entidades concentram a decisão: o carcinoma do esófago, a acalásia, o divertículo de Zenker e as estenoses benignas da junção (estenose péptica e anel de Schatzki). Disfagia progressiva para sólidos com emagrecimento é carcinoma até prova em contrário. Uma acalásia que se instala em meses num doente mais velho que emagrece é um tumor da junção a imitá-la, a pseudoacalásia, até a endoscopia com biópsias e, se preciso, a tomografia ou a ecoendoscopia o excluírem.
A endoscopia alta é o primeiro exame da disfagia esofágica: vê a mucosa, biopsa e trata na mesma sessão. O esofagograma vem primeiro na suspeita de Zenker, porque o endoscópio pode entrar no saco e perfurá-lo. A manometria de alta resolução, lida pela classificação de Chicago 4.0, confirma a acalásia e dá o subtipo, que pesa na escolha: no tipo III, espástico, a miotomia endoscópica peroral é a primeira linha.
O tratamento é o da causa. Na acalásia, a dilatação pneumática graduada, a miotomia de Heller laparoscópica com funduplicatura parcial e a miotomia endoscópica têm eficácia global comparável, e nenhuma devolve a peristalse. No Zenker secciona-se sempre o cricofaríngeo, hoje sobretudo por endoscopia flexível. No carcinoma decide o estadiamento: resseção endoscópica no tumor superficial; no localmente avançado, quimioterapia perioperatória no adenocarcinoma e quimiorradioterapia, pré-operatória ou definitiva, no carcinoma epidermoide, com nivolumab adjuvante quando sobra tumor na peça depois de quimiorradioterapia e cirurgia.
O que não se pode falhar: endoscopia emergente no doente que não engole a própria saliva; nunca funduplicatura total num esófago sem peristalse; nunca tirar a bolsa do Zenker sem seccionar o cricofaríngeo; nunca prótese num doente que vai ser operado com intenção curativa; e dor torácica com febre depois de uma dilatação ou de uma miotomia é perfuração até prova em contrário.
As que não se podem falhar
| Causa | O que a denuncia | Porque urge |
|---|---|---|
| Carcinoma do esófago ou da junção | disfagia progressiva, de sólidos para líquidos, com emagrecimento; rouquidão, tosse ao beber | quando dá disfagia, o tumor já ocupa a maior parte da circunferência |
| Impactação com obstrução completa | início súbito depois de uma refeição, não engole a saliva, sialorreia, dor retroesternal | aspiração e perfuração por pressão |
| Pseudoacalásia | quadro de acalásia com poucos meses de evolução, idade mais avançada e perda de peso marcada | é um tumor da junção, e uma dilatação ou miotomia atrasa o diagnóstico |
| Perfuração | dor torácica intensa, febre, enfisema subcutâneo depois de dilatação, endoscopia ou impactação | mediastinite |
Carcinoma do esófago
- O tumor estreita o lúmen de forma contínua: disfagia progressiva, primeiro para sólidos e depois para pastosos e líquidos, com emagrecimento. Como o esófago não tem serosa e dilata com facilidade, a disfagia só se torna marcada quando mais de 60% da circunferência está infiltrada, e por isso o diagnóstico chega muitas vezes tarde.
- Nos tumores do cárdia, a anorexia e a perda de peso precedem muitas vezes a disfagia.
- Dois tumores diferentes, com implicação no tratamento:
| Carcinoma epidermoide (também chamado espinocelular) | Adenocarcinoma | |
|---|---|---|
| Onde | terços superior e médio | esófago distal e junção, em cerca de três quartos dos casos |
| Fatores de risco | tabaco e álcool, em sinergia; acalásia de longa evolução, estenose por cáusticos, tilose | refluxo crónico, esófago de Barrett, excesso de peso |
| Frequência | a forma mais frequente no mundo | cerca de dois terços dos casos nos países de rendimento elevado |
| Risco ganglionar para a mesma profundidade | mais alto | mais baixo |
- A diferença no risco ganglionar é a razão de os critérios da resseção endoscópica serem mais apertados no epidermoide.
Acalásia
- Perda dos neurónios do plexo mioentérico, sobretudo os inibitórios (óxido nítrico e péptido intestinal vasoativo). Resultam duas alterações que definem a doença: relaxamento incompleto do esfíncter inferior e ausência de peristalse no corpo.
- É rara, com incidência estimada de 1 a 3 por 100 000, e apresenta-se sobretudo entre os 25 e os 60 anos.
- O esófago dilata acima de uma porta que não abre: regurgitação de alimento não digerido, tosse noturna, emagrecimento lento e, na doença avançada, esófago sigmoide (megaesófago).
- Secundária: doença de Chagas, por Trypanosoma cruzi, em doentes da América do Sul; opioides crónicos; e a pseudoacalásia, por infiltração tumoral da junção, até 5% dos casos suspeitos.
- Como a peristalse perdida não volta, todos os tratamentos baixam a resistência do esfíncter inferior.
Divertículo de Zenker
- Pseudodivertículo de pulsão: mucosa e submucosa herniam pelo triângulo de Killian, ponto fraco posterior acima do cricofaríngeo, empurradas por um esfíncter superior que abre mal e aumenta a pressão na hipofaringe.
- Prevalência de 0,01 a 0,11%, diagnosticado sobretudo entre a sexta e a oitava décadas; tende a crescer com o tempo.
- Disfagia com regurgitação espontânea de alimento não digerido, halitose, gorgolejo cervical, tosse e aspirações de repetição.
- Por ser de pulsão, o tratamento tem de seccionar o cricofaríngeo: tirar só a bolsa não trata a causa.
Estenoses benignas e anel
- Estenose péptica: fibrose do esófago distal por esofagite de refluxo repetida; disfagia lentamente progressiva para sólidos, com anos de pirose.
- Anel de Schatzki: anel mucoso fino na junção escamocolunar. Anéis assintomáticos existem em 10 a 15% da população; dá disfagia episódica para sólidos quando o lúmen fica abaixo de 13 mm, tipicamente acima dos 40 anos, e é das causas mais frequentes de impactação intermitente.
- Esofagite eosinofílica: o jovem atópico com impactações de repetição; é doença médica, e a dilatação é só complemento.
- Estenose por cáusticos: a ingestão é acidental na criança e muitas vezes voluntária no adulto; a retração cicatricial começa a partir da terceira semana, com estenose extensa e risco aumentado de carcinoma epidermoide a longo prazo.
- Compressão extrínseca: bócio mergulhante, adenopatias ou artéria subclávia direita aberrante (disfagia lusória).
Divertículo epifrénico e esclerose sistémica
- O divertículo epifrénico, no esófago distal, é também de pulsão e associa-se a um distúrbio motor por baixo (acalásia, esófago hipercontrátil) ou a uma estenose distal.
- Na esclerose sistémica, com atingimento esofágico em cerca de 80% dos doentes, a fibrose do músculo liso deixa o corpo sem contração e o esfíncter inferior hipotónico: é o contrário da acalásia no tónus, e junta a disfagia a refluxo grave. O mesmo padrão aparece em cerca de metade dos doentes sem doença do tecido conjuntivo.
| Suspeita | Primeiro exame | Depois |
|---|---|---|
| Disfagia esofágica | endoscopia alta com biópsias | esofagograma se há dúvida anatómica; manometria se a endoscopia é normal |
| Divertículo de Zenker | esofagograma | endoscopia com cuidado, se for precisa |
| Suspeita motora | endoscopia, para excluir tumor da junção | manometria de alta resolução; esofagograma cronometrado |
| Impactação | endoscopia, sem esofagograma | biópsias para a causa |
| Carcinoma confirmado | TC toracoabdominal ou PET-TC | ecoendoscopia; PET-TC nos candidatos a esofagectomia |
Endoscopia alta
- Primeiro exame da disfagia esofágica: vê a mucosa, identifica o Barrett, biopsa e dilata ou desimpacta na mesma sessão.
- Lesão suspeita: 6 ou mais biópsias, para o diagnóstico e para os biomarcadores.
- Toda a estenose se biopsa, para excluir neoplasia.
- Mucosa normal com disfagia: biópsias esofágicas à procura da esofagite eosinofílica.
- Na suspeita de acalásia é obrigatória antes de tratar, e a dificuldade em passar a junção é um sinal a favor de pseudoacalásia.
Esofagograma com bário
- Zenker: define o saco e vem antes da endoscopia.
- Acalásia: esófago dilatado que esvazia mal, nível hidroaéreo e afilamento liso da junção em bico de pássaro; sigmoide na doença avançada. O esofagograma cronometrado, que mede o esvaziamento, é preferível ao convencional e serve para avaliar a resposta ao tratamento.
- Anel de Schatzki: vê-se bem com a técnica de coluna cheia; a endoscopia pode falhar os anéis mais largos.
- Não se faz na impactação.
Manometria de alta resolução
- É o exame de referência para a acalásia e faz-se na disfagia sem lesão endoscópica (norma DGS 019/2017).
- Leitura pela classificação de Chicago 4.0, que cruza o relaxamento do esfíncter inferior, medido pela pressão de relaxamento integrada, com o padrão do corpo. O limite superior da pressão de relaxamento integrada depende do equipamento: 15 mmHg em decúbito num sistema e 22 mmHg noutro.
| Diagnóstico | Relaxamento do esfíncter | Corpo do esófago |
|---|---|---|
| Acalásia tipo I | insuficiente | 100% de peristalse falhada, sem pressurização |
| Acalásia tipo II | insuficiente | 100% de peristalse falhada, com pressurização panesofágica em 20% ou mais das deglutições |
| Acalásia tipo III, espástica | insuficiente | contrações prematuras em 20% ou mais, sem peristalse |
| Obstrução ao fluxo da junção | insuficiente | peristalse presente; só conta com sintomas e confirmação por outro exame |
| Espasmo esofágico distal | normal | contrações prematuras em 20% ou mais |
| Ausência de contratilidade | normal | 100% de peristalse falhada; o padrão da esclerose sistémica |
- Com resultado inconclusivo e disfagia, o diagnóstico apoia-se no esofagograma cronometrado ou na sonda de imagem funcional do lúmen, que mede a distensibilidade da junção.
- Pseudoacalásia: pede-se TC ou ecoendoscopia quando há suspeita, e a suspeita sobe acima dos 55 anos, com sintomas há menos de 12 meses e perda de mais de 10 kg.
Estadiamento do carcinoma
- TC do tórax e do abdómen, com ou sem pelve, ou PET-TC: invasão local, gânglios e metástases (pulmão, fígado, peritoneu).
- PET-TC nos candidatos a esofagectomia, porque encontra metástases que evitam uma cirurgia inútil.
- Ecoendoscopia: profundidade (T) e gânglios (N), invasão de estruturas vizinhas (T4b) e punção de gânglios fora do campo previsto. Tem exatidão baixa no T1; aí é a resseção endoscópica que estadia, porque dá a peça.
- Broncoscopia, de preferência com ecografia endobrônquica, quando o tumor pode crescer para a via aérea.
- Classificação TNM da 8.ª edição, com grupos de estádio separados para o epidermoide e o adenocarcinoma.
- Estado de nutrição: mais de metade dos doentes perde mais de 5% do peso antes da esofagectomia, e 40% mais de 10%. A perda de peso aumenta o risco operatório.
Impactação alimentar
- Obstrução completa (sialorreia, não engole líquidos): endoscopia emergente, de preferência nas primeiras 2 horas e no máximo em 6 horas. Sem obstrução completa: nas primeiras 24 horas.
- O bolo empurra-se com cuidado para o estômago; se não passa, retira-se.
- O tratamento médico tem eficácia discutível e não pode atrasar a endoscopia.
- Estuda-se sempre a causa, com biópsias: estenose péptica, anel de Schatzki, esofagite eosinofílica ou carcinoma.
Estenoses benignas
| Causa | Tratamento |
|---|---|
| Estenose péptica | biópsia; dilatação endoscópica e inibidor da bomba de protões |
| Anel de Schatzki | dilatação; com refluxo comprovado e esfíncter incompetente, cirurgia antirrefluxo para evitar dilatações repetidas |
| Esofagite eosinofílica | tratamento médico (inibidor da bomba de protões, corticoide tópico deglutido ou dieta); dilatação só como complemento |
| Estenose cáustica | dilatações; esofagectomia com substituição quando não se consegue dilatar sem lesar o esófago |
Acalásia
Nenhum tratamento devolve a peristalse: o objetivo é aliviar os sintomas baixando a resistência do esfíncter inferior. Escolhe-se com o doente, pela idade, pelo subtipo manométrico e pela experiência do centro.
| Opção | Como se faz | O que pesa |
|---|---|---|
| Dilatação pneumática graduada | balão de 30 mm na primeira sessão e 35 mm na segunda; repete-se se os sintomas voltam | perfuração em 0,5 a 5%; só em quem é candidato a cirurgia se perfurar; responde melhor acima dos 45 anos |
| Miotomia de Heller laparoscópica | secção da musculatura do esófago distal e de 2 a 3 cm do estômago, com funduplicatura parcial, anterior (Dor) ou posterior (Toupet) | sem funduplicatura o refluxo é muito mais frequente; a total obstrui |
| Miotomia endoscópica peroral | túnel submucoso e secção do músculo circular, com comprimento ajustável | sem funduplicatura, mais refluxo do que as outras; primeira linha no tipo III |
| Toxina botulínica no esfíncter | injeção endoscópica | alívio de meses; só em quem não tem condições para as outras ou precisa de adiar o tratamento definitivo |
| Nitratos, antagonistas do cálcio | por via oral | não se recomendam |
- Nos tipos I e II, a dilatação graduada repetida, o Heller e a miotomia endoscópica têm eficácia global comparável.
- No tipo III, espástico, a miotomia tem de cobrir o segmento com contrações prematuras, e a endoscópica chega mais longe: é a primeira escolha, e a dilatação é a opção que menos rende.
- Depois de toxina botulínica, espera-se pelo menos 3 meses antes da miotomia, porque a inflamação submucosa torna a dissecção difícil.
- Recidiva depois de Heller: dilatação, miotomia endoscópica ou nova cirurgia. Recidiva depois de miotomia endoscópica: nova miotomia endoscópica, Heller ou dilatação.
- A esofagectomia é o último recurso: megaesófago que não esvazia depois de tudo o resto, ou displasia de alto grau ou carcinoma.
- Não se fazem endoscopias sistemáticas de rastreio do carcinoma; o limiar para endoscopia é baixo quando os sintomas voltam numa acalásia antiga.
Divertículo de Zenker
- Trata-se o divertículo sintomático, e o gesto essencial é a secção completa do cricofaríngeo. A diverticulectomia sem miotomia recidiva mais.
- Endoscopia flexível (septotomia): primeira linha para os sintomáticos de qualquer tamanho, segundo a ESGE (sociedade europeia de endoscopia digestiva) em 2020; dispensa a hiperextensão do pescoço, o que conta num doente idoso.
- Grampeamento transoral com endoscópio rígido: mais eficaz nos divertículos acima de 2 cm, e por vezes impossível nos pequenos.
- Cirurgia aberta cervical: miotomia do cricofaríngeo, com diverticulopexia ou, nos muito grandes, diverticulectomia; as complicações possíveis são a fístula, o abcesso, o hematoma e a paralisia do nervo laríngeo recorrente.
- Miotomia endoscópica em túnel (Z-POEM): secciona o septo por baixo da mucosa intacta. Em 2020 a ESGE considerava-a experimental; séries observacionais posteriores, em centros com experiência, mostram sucesso clínico igual ou superior ao da septotomia flexível.
- Não se dilata.
Divertículo epifrénico
- Trata-se o distúrbio motor de base e não só a bolsa: diverticulectomia com miotomia de Heller e funduplicatura parcial, e a sutura protege-se com cuidado, porque a deiscência é o risco principal.
Carcinoma do esófago
Decisão em reunião multidisciplinar, pela histologia, pelo estádio clínico, pela localização e pelo estado do doente. A cirurgia faz-se em centros de grande volume.
| Situação | Tratamento |
|---|---|
| Displasia de alto grau e maioria dos T1 | resseção endoscópica em bloco (mucosectomia ou disseção submucosa) |
| Adenocarcinoma T1: curativa se | todos os T1a; T1b superficial (sm1, invasão submucosa inferior a 500 µm), sem ulceração e sem outros fatores de risco ganglionar |
| Epidermoide T1 | mesmo o T1a profundo (m3) precisa de mais tratamento se houver outros fatores de risco |
| Margem profunda atingida ou risco ganglionar significativo | esofagectomia com linfadenectomia; no epidermoide IA, quimiorradioterapia como opção de preservação do órgão |
| cT2N0 | sem evidência suficiente para recomendar tratamento pré-operatório; decide-se caso a caso |
| Localmente avançado ressecável (cT2 a T4, ou N positivo), adenocarcinoma | quimioterapia perioperatória com FLOT (fluorouracilo, leucovorina, oxaliplatina e docetaxel) e cirurgia; quimiorradioterapia pré-operatória só se o doente não puder fazer FLOT |
| Localmente avançado, epidermoide | quimiorradioterapia pré-operatória (carboplatina e paclitaxel semanais com 41,4 Gy em 23 frações) e cirurgia, ou quimiorradioterapia definitiva com vigilância apertada e cirurgia de resgate |
| Epidermoide cervical | quimiorradioterapia definitiva, porque a cirurgia obrigaria a laringectomia |
| Doente que não quer ou não pode ser operado | quimiorradioterapia definitiva |
- Resseção endoscópica: no adenocarcinoma nenhuma técnica é superior em geral, mas a mucosectomia prefere-se nas lesões pequenas e a disseção submucosa nas acima de 15 mm, nas que não elevam e nas com risco de invasão submucosa. No epidermoide, a disseção submucosa dá mais resseções completas e menos recidiva local.
- Quimiorradioterapia definitiva: cisplatina e fluorouracilo (ou capecitabina) com 50,4 Gy em 28 frações ou 50 Gy em 25; doses acima de 50,4 Gy não melhoraram o controlo local nem a sobrevivência, e acima de 55 Gy aumentam a morbilidade de uma cirurgia de resgate.
- Nivolumab adjuvante, durante um ano, quando depois de quimiorradioterapia pré-operatória e cirurgia sobra tumor na peça (ypT1 ou mais, ou ypN1 ou mais), no epidermoide e no adenocarcinoma. Não exige a pesquisa de PD-L1.
- Mesmo com resposta clínica completa ao tratamento pré-operatório, o adenocarcinoma ressecável segue para cirurgia.
- Esofagectomia: transtorácica com linfadenectomia de dois campos. Ivor-Lewis (abdómen e tórax direito, anastomose no mediastino superior) nos tumores distais; McKeown (abdómen, tórax direito e pescoço, anastomose cervical) nos médios e superiores; trans-hiatal no doente frágil com tumor distal, com menos morbilidade e linfadenectomia menos extensa. A via minimamente invasiva é a de escolha nos centros com experiência.
- Nutrição: o doente desnutrido que vai para tratamento curativo alimenta-se por jejunostomia ou sonda nasogástrica, nunca por prótese, que pode piorar o prognóstico.
- Paliação da disfagia: a prótese metálica autoexpansível é a forma mais rápida; nos tumores da junção a radioterapia pode ser a primeira escolha, porque a prótese que atravessa a junção dá refluxo intenso.
Complicações dos procedimentos
| Procedimento | Complicações |
|---|---|
| Dilatação pneumática | perfuração; refluxo |
| Miotomia (Heller ou endoscópica) | perfuração da mucosa; refluxo, mais depois da endoscópica; disfagia persistente por miotomia incompleta |
| Esofagectomia | pneumonia e insuficiência respiratória, fibrilhação auricular, deiscência da anastomose, necrose do tubo gástrico, quilotórax, rouquidão por lesão do nervo laríngeo recorrente, com mais risco de aspiração |
| Prótese | migração, obstrução por tumor ou alimento, dor, refluxo quando atravessa a junção |
- Febre, taquicardia e dor torácica ou cervical depois de qualquer destes procedimentos: perfuração ou deiscência até prova em contrário, com TC ou esofagograma de contraste hidrossolúvel e tratamento imediato.
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